• Subcribe to Our RSS Feed

Ter visão globalizada

abr 20, 2016 by     No Comments    Posted under: aprendizagem e desenvolvimento, destaque

POR QUE É IMPORTANTE: as fronteiras estão ficando mais fluidas em todo o mundo. Isso implica trabalhar ou estudar fora, lidar com estrangeiros, ter de entender culturas diferentes e, claro saber outros idiomas.


COMO ENSINAR
: na escola Suiço-Brasileira, em são Paulo, os alunos são poliglotas. As aulas de alemão começam na pré-escola. Nas salas de ensino médio os alunos discutem filosofia em francês. O inglês faz parte do cotidiano da escola. Os alunos saem fluentes em quatro idiomas, incluindo o português, que não é a língua materna de muitos deles. Ali convivem estudantes de 42 nacionalidades. “Se não forem fluentes, não se dão mal só na aula de idiomas, mas em outras matérias. Na 7ª série, eles têm Matemática, Química e Física em alemão”, afirma Heitor França, coordenador de International Baccalaureate (IB), um diploma internacional que habilita os jovens a estudar em diversas universidades estrangeiras. Para consegui-lo, o estudante passa por uma série de provas na língua materna, em inglês e em um terceiro idioma.

O aluno Rafael Niggli, de 18 anos, prestou IB no fim do ano passado. Do total de 42 pontos da prova, fez 35, três pontos a mais que o exigido para estudar na Suíça, onde o ensino superior é gratuito. Em junho ele partirá para a Universidade de Saint Gallen. “Sei que não fico devendo nada a nenhum aluno europeu”, diz. No Brasil, apenas dez escolas estão aptas ao IB. “Conheci escolas públicas na Argentina que oferecem o mesmo conteúdo. Isso faz com que os argentinos disputem em pé de igualdade com os estudantes brasileiros da escola particular”, diz França.

Aprender línguas não é a única forma de se preparar para a globalização. Aos 16 anos, Vinicius Melleu Cione se viu representando Moçambique no Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o Pnud. Na pauta de discussão com membros de outros países estavam a utilização do software livre e as alternativas mais baratas de acesso à tecnologia. Vinicius não é diplomata. Pelo menos, não ainda. Ele estuda no colégio Ítaca, de são Paulo, um dos milhares que participaram da Mini-ONU, uma simulação das reuniões das Nações Unidas.

Idealizada pelos alunos do curso de Relações Internacionais da PUC DE Minas Gerais, a Mini-ONU reúne estudantes de ensino médio de todo o país, de escolas publicas e particulares. As discussões vão desde tráfico de mulheres e refugiados até meio ambiente. Todas se encaixam no trabalho de alguma agência da ONU. “Mandamos aos colégios relatórios sobre as questões e os países”, diz o professor Marco Paulo Gomes, coordenador-geral. “Mas ele é completamente imparcial. Os alunos pesquisam qual a política externa do país sobre aquele assunto.” Feito isso, a delegação está pronta para participar do evento, em Belo Horizonte. A simulação é tão real que os alunos usam roupas típicas dos países. E as discussões não ficam restritas às salas do congresso. “No hotel, a gente tenta fazer aliados”, diz Vinicius, hoje aluno de Relações Internacionais da PUC e de História na USP. “Quando participei, não sabia nada sobre Moçambique ou software livre. A Mini-ONU fez com que eu me apaixonasse pela história da África”, diz.

“A idéia é acabar com a divisão por disciplinas na formação do professor”
Miguel Arroyo, doutor em Educação pela Universidade Stanford

“A idéia é acabar com a divisão por disciplinas na formação do professor e criar cursos em grandes áreas do conhecimento”,  diz Arroyo. Assim, os professores sairiam da faculdade formada em Ciências, e não em Física ou Química, como acontece hoje.

Essa reforma seria mais que uma mudança de currículo. Já está se formando um consenso de que a educação terá de abrir mão do excesso de conteúdo das matérias lecionadas. Embora as escolas não sejam obrigadas a seguir uma cartilha, o vestibular determina uma carga para todas as disciplinas. “A escola absorveu uma quantidade enorme de conhecimento. Apesar de ter muito conteúdo, ela ensina pouca”, diz Mendes. Ele afirma que, quando a lição não faz sentido para a vida do aluno, ele não a absorve. Assim que entra na faculdade, boa parte dos formados esquece lições como equações de movimento, divisão celular ou circulo trigonométrico. “Para adaptar o ensino ao mundo de hoje, precisamos de uma formação mais critica e cultural, que envolva o cinema, o teatro e a vida urbana.”

Uma das premissas dessa nova escola é intimidade com a tecnologia. Saber usar computadores, lousas eletrônicas e programas educativos é, hoje, como conhecer o alfabeto. Mas isso não basta. “A tecnologia é uma ferramenta inicial, serve para o aluno pesquisar, entrar em contato com aquilo que precisa. Depois entram o professor e o trabalho em grupo para ajudá-lo a entender”, afirma Vani Kenski, especialista em tecnologia educacional da USP.

As nações desenvolvidas já acordaram para a necessidade de modernizar o ensino. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, implementou o programa No Child Left Behind (Nenhuma criança deixada pra trás), que distribui bônus a escolas que alcançam metas no ensino de matemática e inglês. França, Alemanha e Reino Unido fizeram revisões de currículo na década de 90. As principais mudanças foram: 1) dar autonomia às escolas para adaptar os conteúdos das aulas à realidade dos alunos; 2) Acabar com a repetência; 3) Investir na formação de professores em áreas mais amplas. O caso de revolução de ensino mais aplicável no Brasil é o da Espanha. Como nós, os espanhóis viveram sob um regime militar até os anos 70. Com a morte do general Francisco Franco, em 1975, em meio a uma recessão, o novo governo e a sociedade civil estabeleceram acordos conhecidos como Pactos de Moncloa. Em troca de restrições salariais, haveria investimentos em bem-estar social. Na década de 70 e 80, o país expandiu sua rede de escolas e universalizou o ensino. Na década de 90, a Espanha inovou na educação.

A primeira medida foi o fim do ensino por séries. O aluno mal avaliado em alguma matéria na Espanha passa de ano, mas tem de fazer aulas de reforço para acompanhar a turma. Foi criado um sistema de disciplinas optativas e aulas profissionalizantes, para atender tanto os alunos que querem ir para a faculdade como os que vão direto para o mercado de trabalho.  E várias disciplinas foram unidas em grandes áreas do conhecimento. Assim, é comum que um aluno assista as aulas de História, Espanhol e Filosofia com o mesmo professor. “A Espanha e a União Européia aumentaram as horas de aula não para dar mais conteúdo, e sim para levar a classe a museus, viagens e debates” afirma Arroyo. É uma aposta que o Brasil deve fazer.



Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Tem algo a dizer? Vá em frente, deixe seu comentário!

XHTML: Você pode utilizar os seguintes códigos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

UA-34327795-1