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Inclusão: um contraponto (da escola)

jun 25, 2015 by     No Comments    Posted under: destaque, distúrbios e transtornos

Texto escrito por Andrea Werner Bonoli, do blog Lagarta Vira Pupa!

A opinião de um dono de escola sobre “As desculpas que as escolas dão”.
Uma reflexão válida sobre o tema visto do outro lado, das escolas.


Foto: Getty Images (bit.ly/NXUKpZ)

“Pensei muito antes de escrever aqui… pois estou “do outro lado”. Sou dono de uma escola, e temos algumas crianças incluídas (a escola é pequena (150 alunos), e nesse momento temos dois casos de autismo e um caso de down). Queria fazer um contraponto e espero não ofender ninguém, mas como a internet é uma terra sem lei, e como os textos escritos são péssimos para que o “tom” seja transmitido, não vou colocar maiores dados meus ou sobre a escola (tudo que não precisamos é de alguém que entende as coisas errado, fazendo patrulha, quero apenas dar uma outra perspectiva que pode ajudá-los no processo de mudança que precisamos viver).

O meu primeiro ponto é concordar com vocês, mas num aspecto mais amplo. Uma grande parcela dos pais, da mídia e mesmo das escolas vende uma ideia de que escola boa é aquela que “puxa”, que prepara vencedores, que vai bem no vestibular, que forma a elite, que vai bem no ENEM, uma escola para os lideres, “a melhor escola da cidade”, “a melhor escola da região” e por ai vai. Bem, aqui temos um problema sério, pois essa lógica do “melhor”, pressupõe um “pior” e como é que a escola que “se vende” desta forma vai ser inclusiva? Por exemplo, uma escola que pretende transformar todos os alunos em “ases da comunicação”, não tem muito espaço para alunos com problemas de relacionamento. Felizmente nossa escola não segue essa lógica, o que facilita a inclusão. Nossa proposta é “trabalhar as potencialidades de cada um”, buscar o meu melhor, e não ser melhor que os outros…. e aqui, sugiro a vocês pais, que comecem a questionar essa lógica do vencedor, tão forte na nossa sociedade (vejam as olimpíadas). Se não é o caso de sermos mais cooperativos e menos competitivos. O mundo não precisa ser dividido em perdedores e ganhadores…

O segundo ponto é que mesmo trabalhando com inclusão muito antes de tal termo existir, já tivemos que recusar alguns alunos. As vezes não dá. Inclusão de verdade tem que considerar: A professora (ela vai dar conta? Tem alguma experiência com isso? A quanto tempo ela está na carreira?), os colegas (eles vão interagir ou também vão criar problemas – é uma turma fácil ou é não? Já tem algum caso de inclusão na turma? A turma faz bulling?), os familiares da criança (sim, parte do questão da inclusão são os pais da criança, que tem expectativas as vezes irreais, e que as vezes não tem expectativa nenhuma… ambas situações que complicam o quadro), os recursos disponíveis (espaço físico), os outros pais e finalmente a criança e as dificuldades que ela tem…. cada uma dessas peças sozinha não pode ser usada de desculpa… mas quando consideradas juntas existem cenários em que você sabe que a única razão para aceitar uma criança é obedecer a lei. Quem ganha com isso? Certamente não é a criança…. Finalmente, se uma escola começa a ter muitos casos de inclusão… (é normal que uma escola que aceita inclusão e tem bons resultados no processo comece a receber indicações de alunos especiais), corre o risco de “virar uma escola especial”. Tudo isso para dizer que não é porque um colégio disse um não, que você pode automaticamente concluir que o colégio é formado por monstros preconceituosos. Agora se o colégio diz muitos “nãos” dou razão a vocês.

O terceiro ponto é econômico. O nosso país é ótimo. Aqui a caneta resolve tudo, então, magicamente, as escolas tem de arcar com os custos da inclusão. Lá fora os governos pagam aos colégios particulares um plus pelos alunos incluídos. Aqui o governo nem mesmo ajuda a formar falantes de libras. Querem uma boa bandeira… essa é uma… quando uma família prefere um colégio particular, desonera os custos do Estado… ora, qualquer um sabe que dependendo da inclusão o custo pode ser o dobro… Em colégios pequenos, com muitos casos de inclusão, isso pode afetar a saúde financeira da escola… que tal se o estado ajudar a custear os casos de inclusão em escolas privadas (o pai paga a mensalidade e o estado a diferença de custo (se houver)). Certamente tirariam uma das barreiras do caminho.

Quarto… alunos diferentes fazem bem a saúde das escolas. É uma oportunidade de aprendizado única para toda a equipe, posso garantir. Mas não é fácil na nossa sociedade preconceituosa percebermos isso. A escola é parte da sociedade, vocês tem de ajudar as escolas a melhorar também. … e não sei se esse posicionamento “de guerra” da maioria dos posts vai ajudar muita coisa.

Agradeço a oportunidade de falar.”



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