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De bem com o cérebro

jul 21, 2015 by     No Comments    Posted under: destaque, neuroeducação

Guia prático para o bem-estar em 15 passos
por Suzana Herculano – Houzel

Introdução
O que mais de um século de pesquisa sobre o cérebro pode fazer você? Muito, eu diria – e cada vez mais. Embora por muito tempo boa parte dos estudos nesse campo tenha se concentrado nas doenças e nas causas variadas da infelicidade e do mal – estar; uma bem– vinda ampliação do enfoque nos últimos anos fez com que a neurociência, passasse a se interessar também pelo o normal: como o cérebro se mantém saudável, o que nos causa prazer e felicidade, o que é o bem – estar e como alcançá-lo.

O bem – estar envolve ficar de bem com o nosso cérebro: encontrar paz e felicidade com ele e, sobretudo, mantê-las.

A neurociência oferece informações preciosas sobre muitos dos fatores mais importantes para atingirmos esse estado: a saúde mental e física; a felicidade; a tristeza nas horas certas; a sensação de controle sobre a nossa própria vida; o poder de nos expressar, de manifestar por meio de palavras e comportamentos os nossos desejos e as nossas opiniões; a interação social; e o sentimento de termos um propósito na vida.

Ao longo deste estudo, você descobrirá em detalhes como aplicar em sua vida os novos conhecimentos da neurociência. Este guia prático para o bem – estar é dividido em 15 itens e cada um deles contem informações e dicas a respeito de um aspecto desse tema. Veja a seguir do que eles tratam.

1. Cuide bem da sua saúde física
O cérebro precisa do corpo. Investir na saúde corporal proporciona grande benefícios para a saúde desse órgão ao longo de toda a vida, sobretudo na velhice. Os problemas do corpo doem no cérebro – é preciso saber respeitá-los e tratá-los rapidamente. Tudo está bem quando o corpo e a mente vão bem.

2. Identifique e cultive os seus prazeres
Longe de ser um luxo, a sensação de prazer é a base do bem – estar. A antecipação de um mínimo de prazer ou de satisfação com o dia que teremos pela frente é o que nos tira da cama pela manhã. É também o que chamamos de motivação. Essa busca pelo bem – estar é o que nos movem. Encontrar prazer na vida é um enorme passo à saúde desse órgão. Procure identificar as suas fontes de prazer e cultive-as: relações de amizade, relacionamentos amorosos, trabalho, lazer e exercício físico e mental.

3. Ouça as suas emoções
O estado do corpo é a base das emoções: sentir uma emoção é detectar as mudanças efetuadas no corpo pelo cérebro. Hoje se aceita que as emoções são parte fundamental nas boas decisões. Ela nos informam de imediato sobre o resultado de experiências semelhantes que vivemos no passado, antes mesmo que tenhamos tempo de pensar “racionalmente”; portanto, devem sempre ser levadas em consideração. Se “alguma coisa” lhe diz não, ouça: é o seu corpo mandando aviso ao cérebro.

4. Sorria e busque a felicidade
A felicidade é o estado em que fica o cérebro e vê tudo dando certo. Além de mudar o cérebro, ela afeta o corpo e o torna mais saudável. Se tudo está correndo bem e você está cheio de energia, ótimo. Em alguns casos, no entanto, a felicidade e a motivação são desmedidas, exageras, e não refletem a realidade da vida. Isso é uma indicação de mania, condição que, à primeira vista, parece bênção, mas que se transforma rapidamente em maldição.

5. Saiba a diferença entre tristeza e depressão
A tristeza é uma emoção importante e útil. Em algumas situações extremas, a tristeza profunda é a única resposta razoável de um cérebro saudável e não deve ser confundida com depressão. Ela é perfeitamente justificável e tem que ser respeitada. A depressão é a tristeza despropositada e precisa ser tratada como caso clínico.

6. Tenha uma atitude positiva
Uma atitude positiva em relação à vida é fundamental. O otimismo favorece a ativação antecipada do sistema de recompensa, aumenta a satisfação com os feitos alcançados, amplia as chances de fazermos algo realmente dar certo, nos permite lidar melhor com situações negativas e até intensifica a resistência a doenças.

7. Tire proveito do estresse agudo
É essencial que o cérebro e o corpo saiba identificar situações ameaçadoras e reagir de acordo – e “de acordo” é justamente a resposta ao estresse. Se o cérebro não fosse capaz de distinguir situações estressantes e reagir a elas, mal chegaríamos de pé ao fim do dia. Por isso, uma resposta adequada é vital. O estresse agudo tem efeitos benéficos sobre a memória e sobre a resposta imunológica. A reação imediata ao estresse é altamente desejável: se não for muito intensa, ela facilita a memória e aumenta a imunidade.

8. Aprenda a lidar com a ansiedade
Além de simplesmente reagir, o cérebro sabe antecipar possível situações estressantes. Algumas preocupações são saudáveis e geram um estado de estresse antecipado, chamado de ansiedade, que pode ser percebido como indesejável. Em doses saudáveis, no entanto, essa habilidade é uma bênção, pois evita que o cérebro se coloque em situações problemáticas. Preocupar- se é importante desde que nas horas certas!

9. Faça as pazes com os remédios
O bom funcionamento do cérebro depende de um equilíbrio químico muito delicado, mantido com todo o cuidado por esse próprio órgão. Às vezes, em decorrência de variações genéticas, estresse intenso ou doenças adquiridas, é necessário obter ajuda externa para encontrar e manter esse equilíbrio por meio de medicamentos que interferem na química cerebral. Algumas pessoas resistem a usar esses remédios, enquanto outras acreditam, equivocadamente, que os fitoterápicos são uma alternativa mais segura. Há, ainda, quem fique tentado a consumir medicamentos em busca de melhorias na memória e na capacidade de atenção normais – mas alterar sem necessidade o equilíbrio natural do cérebro não é uma boa idéia.

10. Combata o estresse crônico
O estresse vira vilão quando se torna crônico ou impossível de evitar: queremos nos livrar dele, mas não conseguimos. Uma resposta prolongada e exagerada ao estresse acaba por tornar ruim para o corpo e o cérebro, tudo que inicialmente era bom. A melhor maneira de não sofrer com o estresse crônico é impedir que ele aconteça. Se isso for inviável, será preciso aprender a lidar bem com ele.

11. Exercite-se regulamente
Além de promover a saúde cardiovascular e, portanto, também a do cérebro, o exercício físicointenso é um dos melhores estabilizadores de humor que a neurociência moderna conhece. A atividade aeróbica combate a depressão e a ansiedade, promove a produção de neurônios novos no hipocampo, melhora a memória e aumenta a liberação de substâncias neuroprotetoras, isto é, aquelas que mantêm os neurônios saudáveis. Pelos seus efeitos sobre o corpo e o cérebro, o exercício físico regular é o que existe de mais próximo de um elixir da juventude.

12. Durma bem e bastante
O sono é fundamental para o bem – estar. Quando dormimos, o cérebro descansa, mesmo sem parar de funcionar, e reorganiza as memórias do dia. A falta de sono causa um estresse intenso a esse órgão, além de uma série de problemas, inclusive de memória. O sono é tão importante que é auto – regulado: quanto menos dormimos, mais precisamos dormir.

13. Eduque-se e assuma responsabilidades
O cérebro tem uma capacidade incrível de aprender e dispõe de tudo o que precisa para isso: o gosto pelo desafio, o poder de usar a atenção para filtrar informações irrelevantes e a capacidade de se lembrar do que foi importante. Desenvolver as suas habilidades mentais – ou seja, educar-se – é um excelente meio de tornar o seu cérebro ainda mais capaz de resolver problemas, ampliar as suas capacidades e prolongar o bem – estar e a vida. Além disso, a instrução é uma maneira de obter controle sobre a própria vida, assumir responsabilidades e progredir socialmente, o que contribui muito para o bem – estar.

14. Cultive os seus relacionamentos
Ocupar uma posição de subordinação numa escala hierárquica é uma fonte importante de estresse social, mas não é a única. Mamíferos sociais, como o homem, não foram feitos para ficar sozinhos, e o isolamento é um dos mas intensos fatores de estresse social. Saber que contamos com o apoio de amigos e familiares é fundamental. Além disso, o contato humano, na forma de abraços, beijos e carinhos, garante ao cérebro que não estamos sós no mundo.

15. Busque e ofereça carinho
Talvez a maior descoberta da neurociência nos últimos tempos seja o impacto do carinho sobre océrebro. Na infância, ele é a melhor indicação que o bebê tem de que conta com alguém que o aquece, protege e alimenta. Além disso receber carinho nessa época ajuda o cérebro a formar uma resposta saudável ao estresse. Na vida adulta, o carinho é uma maneira poderosa de regular a ansiedade e respostas exageradas ao estresse de maneira geral. O mais importante, contudo, é que o carinho se autopropaga: cérebros que o recebem tornam-se mais carinhosos. Conquistar o bem – estar e dar carinho aos nossos filhos é investir desde já no bem – estar dos nossos netos.



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