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Como conversar com seu filho (que ainda não fala)

mar 10, 2016 by     No Comments    Posted under: destaque, distúrbios e transtornos
Artigo de Andrea Werner Bonoli

“Como eu já mencionei anteriormente, Theo, ainda, não fala. AINDA. Que fique claro. Estamos trabalhando nisso, não é?!”

Ele começou a fazer fono com dois aninhos, logo que foi diagnosticado. Um dos primeiros conselhos que a fonoaudióloga nos deu foi o seguinte: “não deixe de falar com seu filho. Muitos pais vão parando de falar porque percebem que a criança não responde. Mas é muito importante que você continue”. Devo dizer que segui o conselho à risca. Até mesmo, porque, ele pode não falar, mas entende 100% do que falamos com ele.

Aliás, fica aqui uma dica: nunca fale perto de uma criança autista como se ela não estivesse ali. Ela está entendendo você! E, aí, vai um “mea culpa”. Esse é um dos pontos que nós, aqui em casa, temos que trabalhar bastante. Às vezes, nos pegamos falando do autismo do Theo na frente dele, e isso não é legal.

Uma coisa que eu aprendi nesse último ano é que “comportamento é comunicação”. Como eu sei disso? Ah, porque eles dão um manual com tudo explicadinho pra gente quando recebemos o diagnóstico! Hehe…não. Não é bem assim. Aprendi na prática mesmo. Apanhando um bocado.

Theo ainda não fala. Mas ele se comunica. Sempre. Às vezes, com seus barulhinhos. Muitas vezes, com o choro. Outras vezes, com a birra. Ou com um sorriso, uma olhadinha de lado, uma carinha de malandro. Ele tem um bom repertório. E aqui estou eu, aprendendo, a cada dia, como traduzi-lo.

E, dessa forma – eu falando e ele olhando de lado, sorrindo, fazendo barulhinhos ou chorando – vamos nos entendendo.

Um bom exemplo é o que acontece todos os dias, quando pego ele na escola. Coloco ele no cadeirão, no carro, e já vou perguntando “e aí, filho, como foi hoje na escola? Brincou com os amigos? Você desenhou? Brincou com tinta? Subiu no escorregador? Você gosta da professora?”. E, por aí, vai. Fico, ali, aparemente, falando sozinha. E, ele, me olhando de canto de olho, dando risadinhas, prestando bastante atenção.

Muitas vezes, quando estamos voltando de alguma terapia e pegamos um trânsito daqueles típicos de fim de tarde em São Paulo, percebo que ele começa a ficar nervoso. Chora, dá uns chutinhos no banco da frente. Tradução: “mamãe, quero chegar logo em casa”. Essa, aí, eu já entendo rapidinho. E logo explico pra ele “filho, tem muito carro na frente da mamãe. A mamãe não está devagar porque quer. Mas te garanto que logo a gente chega em casa”. E ele se acalma.

Quando isso não funciona, ligo a música. Já percebi que ele também reclama quando não curte o som que está tocando. Faz que vai chorar. Nessas horas, falo com ele “ok, já entendi que você não gostou da música. Mamãe vai mudar”. E, assim, vamos.

Comento com ele dos carros coloridos que passam na rua (e ele vai olhando). Aviso que vamos subir em uma ponte. E a parte que ele mais gosta: sempre que passamos pela ponte estaiada, sobre o rio Pinheiros, eu falo com ele: “Theo, olha lá o rio! Era uma vez…UM RIO! UUUUUUHHHH!”. (Essa aí, só quem conhece o Cocoricó vai entender). E ele ri…e olha o rio. Já percebi que, todas as vezes que subimos na ponte, ele já fica com aquele sorrisinho maroto, só esperando eu vir com a gracinha.

Em alguns sentidos, ele não é muito diferente de um bebê. Bebês não falam. Portanto, choram para comunicar que tem algo errado. Theo chora quando está com tédio. Chora quando quer atenção. Chora quando está com sono.

E, assim, vamos nós! Diariamente, vamos juntando e ampliando nosso repertório de “comportamento + contexto = ?”. Tudo pra tentar tornar a vida desse menininho lindo e adorável menos difícil. Até o dia em que ele vai começar a se comunicar verbalmente. Porque ele vai. Eu sei!



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